Dados da VR, levantados a partir da entrega de atestados médicos, mostram avanço acelerado de quadros ligados ao estresse e à exaustão; alerta reforça a importância das novas exigências da NR-1
Dados da VR, empresa de soluções para trabalhadores e empregadores, revelam um avanço dos transtornos mentais no ambiente corporativo entre 2023 e 2025. A análise considera uma base de mais de 30 mil empresas e mais de 1,3 milhão de trabalhadores que utilizam os serviços de RH Digital da empresa e, por isso, entregaram atestados médicos pelo SuperApp VR para justificar a ausência de marcação de ponto no aplicativo. A partir da verificação das CIDs (Classificação Internacional de Doenças) foi possível verificar que fadiga, estresse e esgotamento emocional mais que dobraram em apenas dois anos: em 2023, representavam entre 1,5% e 2,5% dos afastamentos, em 2024, passaram para 3% a 4%, e em 2025, atingiram entre 6% e 8% dos registros.
Parte do crescimento dos afastamentos associados à fadiga, estresse e burnout pode estar relacionada à ampliação do uso das CIDs específicas para estes casos. Vale destacar que os dados indicam que não houve substituição de diagnósticos: ansiedade e depressão permanecem em patamares elevados ao longo do período, o que sugere uma sobreposição de quadros e um processo cumulativo de adoecimento, refletido nos registros de afastamento dos trabalhadores das empresas atendidas pela VR, para os serviços de gestão de pessoas.
Os casos de ansiedade (em diversas apresentações) continuam responsáveis por cerca de metade dos afastamentos no período analisado. Em 2023, representava 54% dos diagnósticos; em 2024, oscilou entre 51% e 52%; e em 2025 se manteve entre 48% e 50% dos casos. Em seguida, aparecem os transtornos depressivos, variando de graus leves a graves, que motivaram 30% dos atestados ao longo dos três anos. Já os afastamentos por transtornos mistos (ansiedade e depressão) saltaram de 14% em 2023 para 20% em 2024, apresentando leve recuo em 2025, quando ficaram entre 17% e 18%.
Nesse contexto, a campanha do Janeiro Branco, criada para conscientizar sobre a importância da saúde mental, ganha relevância adicional diante da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia o escopo de responsabilidade das empresas na identificação, avaliação e gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
A norma passa a exigir que as organizações considerem fatores como estresse ocupacional, sobrecarga de trabalho, assédio, pressão por metas e impactos emocionais decorrentes da organização do trabalho, incorporando esses elementos aos programas de prevenção e gestão de riscos. Na prática, isso implica maior atenção aos registros de afastamento, monitoramento contínuo de indicadores de saúde mental, adoção de medidas preventivas, revisão de processos e capacitação de lideranças, com prazo de adequação até maio de 2026.
“Saúde mental não se resume mais a bem-estar, sendo também um fator decisivo de sustentabilidade para os negócios. Ignorar esse cenário significa assumir riscos humanos, operacionais e financeiros cada vez maiores. Cuidar exige ações estruturadas, monitoramento e políticas de cuidado, incluindo atenção a indicadores previstos na NR-1, como o controle de jornada e a marcação de ponto, fundamentais para identificar excessos, sobrecarga e riscos psicossociais no ambiente de trabalho, especialmente em um contexto de intensificação das demandas e transformação das relações de trabalho”, observa Cássio Carvalho, Diretor-Executivo de Negócios da VR.
