NR-01: o que o CONARH 52 vai debater sobre o tema

A NR-01 trouxe novas obrigações para as empresas em relação à saúde mental, mas muitos profissionais de RH ainda têm dúvidas sobre como implementar as mudanças na prática. No CONARH 52, o tema ganha espaço com quem está na linha de frente.
VR
11.08.2026
6 min de leitura
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A pauta de saúde mental no trabalho deixou de ser uma conversa de corredor. Com a atualização da NR-01 (Norma Regulamentadora nº 1), as empresas brasileiras passaram a ter obrigações concretas em relação ao bem-estar psicológico das suas equipes.  

Mesmo com a norma em vigor, muitos profissionais de RH ainda enfrentam dúvidas: como identificar riscos psicossociais? Como documentar isso no PGR? O que a empresa precisa comprovar em caso de fiscalização? 

Essas são algumas das perguntas que o CONARH 52, o maior congresso de Recursos Humanos do Brasil, que acontece de 18 a 20 de agosto de 2026, no São Paulo Expo, vai colocar em debate. Mas antes de chegar lá, vale entender o que mudou e o que ainda está em aberto. 

O que mudou com a atualização da NR-01? 

A NR-01 é a norma regulamentadora que estabelece as disposições gerais sobre saúde e segurança no trabalho no Brasil. Na sua versão atualizada, ela passou a incluir os riscos psicossociais como parte obrigatória do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). 

Isso significa que as empresas agora precisam: 

  • Identificar fatores de risco psicossocial no ambiente de trabalho, como excesso de carga, pressão por metas, assédio, isolamento e falta de autonomia; 
  • Avaliar e priorizar esses riscos com base em critérios técnicos; 
  • Adotar medidas de prevenção e controle, não apenas de reação quando o problema já está instalado; 
  • Documentar tudo no PGR, que pode ser solicitado em fiscalizações do Ministério do Trabalho. 

Na prática, a saúde mental deixou de ser responsabilidade exclusiva do trabalhador e passou a ser uma obrigação legal da empresa. Não se trata mais de um “diferencial” de cultura organizacional, é compliance. 

Por que tantas empresas ainda têm dúvidas? 

A norma está em vigor, mas a implementação ainda esbarra em desafios reais. O principal deles: como medir algo que não é visível? 

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Riscos físicos, como ruído ou temperatura, têm parâmetros técnicos bem definidos. Riscos psicossociais são mais complexos: envolvem percepções, dinâmicas de equipe, estilos de liderança e até a cultura da empresa. 

Além disso, cumprir a NR-1 vai além de oferecer benefícios de saúde e bem-estar, ainda que eles sejam parte importante da estratégia. A norma exige a identificação e o gerenciamento dos riscos na fonte, documentados no GRO e no PGR. É esse diagnóstico que dá direção às iniciativas de cuidado, para que façam sentido dentro da realidade de cada empresa. 

Outro ponto sensível é a capacidade das lideranças. Gestores que não sabem reconhecer sinais de sobrecarga nas equipes, ou que reproduzem comportamentos que aumentam o estresse, tornam qualquer programa de prevenção menos eficaz. 

O que os dados dizem sobre saúde mental no trabalho no Brasil? 

O cenário justifica a urgência da regulamentação. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, o Brasil registrou 472 mil afastamentos por transtornos mentais em 2024, o maior número da última década. O número de licenças por ansiedade e depressão cresce ano a ano. 
 
Uma pesquisa da International Stress Management Association (ISMA-BR) aponta que o Brasil é o segundo país com maior prevalência de burnout no mundo. E o problema tem um custo direto para as empresas: absenteísmo, presenteísmo, rotatividade e queda de produtividade. 

Para o RH, esses números reforçam que investir em saúde mental não é custo, é prevenção de passivo. 

O que o CONARH 52 vai debater sobre o tema? 

O CONARH 52 traz o tema de saúde mental e bem-estar com uma profundidade que vai além da legislação. As sessões confirmadas abordam tanto a dimensão regulatória quanto o impacto real na gestão de pessoas. 

Lily Benjamin, psicóloga organizacional reconhecida internacionalmente, vai conduzir a palestra “Accountability no Mundo Híbrido: Pessoas no Centro da Entrega”. Ela vai discutir como a responsabilização e a autonomia afetam diretamente o bem-estar das equipes no trabalho híbrido, um dos contextos em que os riscos psicossociais são mais difíceis de mapear. 

Tatiane Tiemi, CEO do GPTW Brasil, traz a perspectiva de dados na palestra “Entre Dados e Pessoas: A Nova Gestão com IA”. Ela mostra como as melhores empresas para trabalhar no país estão usando informação e tecnologia para tomar decisões mais humanas, inclusive em saúde e clima organizacional. 

Esses são alguns dos debates que o maior congresso de RH do Brasil vai colocar na mesa. Para quem ainda tem dúvidas sobre como implementar a NR-01 na prática, o CONARH 52 é uma oportunidade de ouvir quem já está fazendo acontecer. 

Por onde começar na sua empresa? 

Se a sua empresa ainda não iniciou a adequação à NR-01, o momento é agora. Alguns pontos de partida: 

1. Revise o PGR atual 

Confira se o documento já contempla os riscos psicossociais. Se não, é preciso atualizar, e isso envolve o time de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) junto com o RH. 

2. Mapeie os fatores de risco na sua realidade 

Cada empresa tem uma dinâmica diferente. Ferramentas como pesquisas de clima, NPS interno e entrevistas com lideranças ajudam a identificar onde estão os principais pontos de atenção. 

3. Envolva as lideranças 

Gestores são peça-chave na prevenção de riscos psicossociais. Capacitar líderes para reconhecer sinais de sobrecarga e criar um ambiente psicologicamente seguro é parte da estratégia, não um detalhe. 

4. Documente as ações 

A documentação das medidas adotadas é fundamental para comprovar conformidade em caso de fiscalização. 

5. Monitore de forma contínua 

A NR-01 não é uma ação pontual. O gerenciamento de riscos psicossociais precisa ser parte da rotina do RH, com revisões periódicas e indicadores acompanhados de perto. 

Saúde mental e conformidade andam juntas 

A atualização da NR-01 é um avanço importante e um sinal claro de que o mercado de trabalho brasileiro está sendo cobrado a olhar para as pessoas de forma mais integral. 

Para o RH, isso representa tanto um desafio quanto uma oportunidade: liderar a mudança cultural que transforma saúde mental de tabu em estratégia. 

O CONARH 52 vai mostrar, com cases reais e especialistas de referência, como empresas brasileiras estão navegando nesse cenário. Se você quer chegar preparado para essas conversas, e para as cobranças da legislação, comece pelos fundamentos. 

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