Falar sobre reajuste salarial vai muito além de números. É uma decisão que envolve expectativas, reconhecimento e a sensação de valorização das pessoas colaboradoras.
No entanto, se mal conduzido, pode gerar insatisfação, desmotivação ou até riscos legais. Por outro lado, um aumento planejado de forma estratégica fortalece a confiança e o engajamento.
Para facilitar esse processo dentro da sua empresa, preparamos um guia completo explicando o que é reajuste salarial, como calcular, como comunicar e o que a CLT prevê sobre o tema. Acompanhe!
Reajuste salarial: o que é?
O reajuste salarial é a correção do valor do salário das pessoas colaboradoras. Ele pode acontecer por determinação legal (como a atualização do salário mínimo), por acordos coletivos negociados com sindicatos ou por políticas internas da empresa.
No regime CLT, essa prática é essencial para manter o poder de compra das pessoas e alinhar os salários à inflação e ao mercado.
CLT e reajuste salarial: o que diz a lei?
Embora a CLT não traga um artigo específico que determine reajustes automáticos, o tema é amparado pela Constituição Federal, especialmente pelo Art. 7º, inciso IV, que garante a irredutibilidade salarial e a necessidade de preservar o poder de compra ao longo do tempo.
Na prática, isso abre espaço para diferentes mecanismos de atualização, que podem variar conforme categoria, região e políticas internas da empresa:
1. Reajuste do salário mínimo
O salário mínimo é um dos fatores que mais influenciam a remuneração no Brasil, mesmo para quem ganha acima dele. Sempre que o piso nacional é atualizado, ele serve como parâmetro obrigatório para contratar, ajustar e regularizar pagamentos dentro das empresas.
Esse reajuste gera reflexos importantes, como, por exemplo, nos benefícios trabalhistas, cujos valores são atrelados ao salário mínimo ou utilizam o piso como referência para cálculo. Alguns exemplos comuns são:
- Adicional de insalubridade (que, em muitos casos, usa o salário mínimo como base).
- Cálculo de pensão alimentícia, quando definida em múltiplos do salário.
- Pisos de benefícios previstos em convenções coletivas.
Dessa forma, quando o salário mínimo aumenta, esses valores também podem sofrer reajuste.
2. Pisos salariais
Diversas categorias profissionais têm pisos salariais próprios; no entanto, eles nunca podem ser inferiores ao salário mínimo nacional. Ou seja: quando o mínimo sobe, os pisos que estavam muito próximos precisam ser ajustados para manter a conformidade.
3. Negociações coletivas
O reajuste anual do salário mínimo costuma servir como ponto de partida nas negociações com sindicatos. Mesmo categorias com pisos acima do mínimo usam o aumento como referência para:
- Reposição da inflação.
- Aumento real.
- Manutenção do poder de compra.
4. Políticas internas da empresa
Além das obrigações legais e dos acordos sindicais, muitas empresas adotam políticas internas próprias para definir como e quando os reajustes acontecem. Isso é comum em organizações que possuem um plano de cargos e salários bem estruturado, com critérios claros para evolução profissional.
Nesse caso, os reajustes podem ser aplicados com base em fatores como:
- Desempenho: aumentos vinculados a entregas, resultados e competências desenvolvidas. É o famoso “mérito”, quando o colaborador ou colaboradora evolui e, por isso, recebe um aumento proporcional ao valor que gera para a empresa.
- Tempo de casa: algumas empresas adotam reajustes periódicos para reconhecer a trajetória, garantindo progressão salarial ao longo dos anos.
- Metas atingidas: quando a política interna prevê mecanismos de reconhecimento por metas individuais, de equipe ou corporativas, o reajuste pode vir como parte de um pacote de valorização.
Além de fortalecer o engajamento, essas políticas tornam o processo de remuneração mais justo, transparente e previsível, reduzindo dúvidas e aumentando o senso de valorização entre os times.
Como calcular reajuste salarial?
O cálculo de reajuste de salário pode variar bastante, dependendo do tipo de ajuste (mínimo, inflação, desempenho), mas aqui está um passo a passo prático de como ele pode ser feito:
1. Identifique a base de reajuste
- Será pelo salário mínimo?
- Será por inflação (INPC, IPCA)?
- Será por desempenho?
2. Defina a fórmula
- Se for inflação: nova remuneração = salário atual × (1 + taxa de inflação).
- Se for misto: combine índices + percentual de ganho real, conforme política da empresa.
3. Calcule individualmente (ou por faixa)
- Para cada pessoa colaboradora (ou grupo de cargos), aplique a fórmula definida.
- Faça a projeção de impacto no orçamento para verificar a sustentabilidade da iniciativa.
4. Considere os efeitos
- Impostos, FGTS, encargos trabalhistas.
- Efeitos no aumento da folha (receberá mais quem já está no topo).
- Se reajustar por performance, como medir e justificar.
Comunicação do reajuste: como fazer de forma transparente?
Após planejar o reajuste salarial, vem uma etapa tão importante quanto o cálculo: comunicar isso para as pessoas colaboradoras de forma clara, humana e transparente.
É nesse momento que a empresa fortalece (ou abala) a confiança das equipes; por isso, a comunicação precisa ser bem pensada, objetiva e coerente com a cultura organizacional.
Pensando nisso, separamos algumas ações práticas que ajudam a transformar esse momento em algo positivo para todas as partes envolvidas:
- Seja transparente: explique por que houve reajuste (inflação, desempenho, piso mínimo, etc.) e como o valor foi definido. Quando o colaborador ou colaboradora entende o critério, ele sente justiça e previsibilidade.
- Faça um anúncio formal: use e-mails, comunicados internos ou reuniões com lideranças para apresentar as atualizações e esclarecer as novas faixas salariais.
- Treine as lideranças: a gestão precisa estar preparada para tirar dúvidas, alinhar expectativas e reforçar a lógica por trás dos aumentos.
Tire suas dúvidas sobre o reajuste salarial
Quando o assunto é reajuste salarial, é normal surgirem muitas dúvidas, tanto de pessoas colaboradoras, quanto da gestão. Para ajudar a esclarecer, respondemos abaixo às perguntas mais comuns sobre o tema. Confira:
1. Toda pessoa colaboradora CLT tem direito a reajuste salarial anual?
A legislação não garante um reajuste automático. O aumento anual só é obrigatório:
- quando está previsto em acordos ou convenções coletivas;
- quando há reajuste do salário mínimo (para quem recebe piso); ou
- quando a política interna da empresa determina revisões periódicas.
Com exceção desses casos, o reajuste depende da estratégia e das práticas de remuneração da organização.
2. Qual foi o reajuste do salário mínimo em 2025?
Segundo a Rádio Senado, o salário mínimo foi reajustado para R$ 1.518,00 em 2025, com um aumento nominal de 7,5%, com base na lei de 2023 que trata da política de valorização do salário mínimo, atualizada por uma norma aprovada em dezembro de 2024 pelo Senado.
3. Qual será o reajuste salarial em 2026?
Segundo a Agência Câmara de Notícias, a previsão de reajuste do salário mínimo é para cerca de R$ 1.631,00 em 2026, conforme proposto pelo Projeto da Lei Orçamentária de 2026 (PLN 15/25), um aumento de 7,44% em relação ao atual.
No entanto, o valor só será definido e publicado em lei após o projeto ser votado pelo Plenário do Congresso Nacional.
Depois do reajuste: como garantir um holerite correto e seguro?
Após aplicar o reajuste salarial, é fundamental que todas as informações apareçam corretamente no holerite. Usar um sistema digital facilita esse processo, padroniza documentos, reduz erros e traz muito mais segurança para a empresa e para as pessoas colaboradoras.
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Imagem de capa: gustavomellossa \ Freepik (2025)
