O RH Summit reuniu alguns dos maiores nomes da gestão de pessoas no Brasil e uma das palestras que mais gerou reflexão veio de Alessandro Bonorino, CHRO da XP Inc. Sob o título “RH Estratégico é bom para o negócio, não para o RH”, Bonorino foi direto: não adianta o RH se auto-proclamar estratégico. Ele precisa provar isso com dados, com decisões e com impacto real no negócio.
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“Menos de 25% dos CEOs indicariam seu RH”
Esse número incomoda e deveria mesmo. Uma pesquisa conduzida em parceria com a FIA Business School revelou que menos de um quarto dos CEOs brasileiros recomendariam seu diretor de RH para outra organização. Mais do que uma estatística, esse dado expõe uma crise de confiança entre a primeira cadeira e a área de pessoas.
O problema, segundo Bonorino, não é falta de esforço. É falta de alinhamento com o que o negócio realmente precisa. Grande parte das lideranças de RH ainda opera no modo administrativo apagando incêndios, respondendo chamados, processando dados sem tempo nem vocabulário para sentar à mesa das decisões estratégicas.
Ele citou um dado que ilustra a lacuna técnica: em uma turma com profissionais experientes de RH, apenas 10% conseguiu desenhar o modelo Canvas da própria empresa. É impossível ser parceiro de negócio sem entender o negócio.
O peso do operacional está bloqueando o estratégico
“Tem que resolver o administrativo para poder focar no estratégico.” Essa frase de Bonorino resume um dos maiores gargalos da área: enquanto o RH estiver afogado em tarefas repetitivas, não há espaço para pensar em cultura, planejamento de workforce ou desenvolvimento de lideranças.
A saída não é trabalhar mais horas. É automatizar o que pode ser automatizado.
Bonorino apresentou um case de uma empresa anterior: a IA batizada de “Flor”, um assistente virtual que respondia a mais de 1 milhão de chamadas por mês sobre dúvidas operacionais como cálculo de PLR, férias e benefícios. O resultado foi direto: o time de RH parou de ser recepcionista de dúvidas e passou a ter tempo para análise, estratégia e gestão de dados.
A automação de processos rotineiros de RH controle de ponto, escalas, férias, admissão digital é o primeiro passo para liberar a agenda da equipe. No Brasil, empresas que já adotaram soluções digitais integradas relatam ganhos expressivos de tempo e redução de retrabalho, segundo pesquisas recentes sobre tendências de RH em 2025.
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Na era da IA, o diferencial é humano
Bonorino trouxe um dado que vale reflexão: estima-se que 40% do código de programação já possa ser gerado por Inteligência Artificial. Se isso vale para programadores, vale também para analistas de RH que fazem tarefas repetitivas e previsíveis.
Mas engajamento, compromisso e inovação ainda não têm substituto tecnológico. Eles vêm do coração e da cabeça das pessoas. E é justamente aí que o RH precisa atuar como guardião do engajamento e arquiteto de uma cultura que nenhuma máquina consegue replicar.
O case da IBM reforça esse ponto: a empresa opera um modelo de supply chain para recrutamento global, contratando 100 mil pessoas por ano e conversando com 2 milhões de candidatos em 170 países. Tecnologia em escala absurda — mas que só funciona porque há uma estratégia humana por trás dela, desenhada pelo RH.
A lição é clara: a IA automatiza processos; pessoas criam cultura. O RH estratégico é o elo entre esses dois mundos.
Cultura não é quadro na parede é vantagem competitiva
“Estratégia de talento é estratégia de crescimento na maioria das nossas empresas.” Mais uma frase de Bonorino que merece ser salva.
Ele defende que cultura organizacional precisa ser gerenciada como qualquer outro ativo estratégico com métricas, acompanhamento contínuo e responsabilidade sobre os resultados. Quando a cultura fica apenas no discurso, ela perde força. Quando é medida e gerenciada, ela vira diferencial competitivo real.
Na XP Inc., isso se traduz em práticas concretas: revisão do processo de feedback 360, redução do número de avaliados por colaborador para garantir qualidade (e não sobrecarregar o time com 5 horas respondendo formulários improdutivos), e uso de dados para identificar gaps de engajamento antes que se tornem problema de retenção.
Vale lembrar: no Brasil, o turnover médio está em torno de 56%, entre os mais altos do mundo. Empresas que tratam cultura como investimento e não como bônus têm mais chance de segurar seus melhores talentos.
Foco: a coragem de dizer não ao modismo
Um dos pontos mais honestos da palestra veio aqui. Bonorino alertou para uma armadilha comum no RH: a tentação de adotar iniciativas “legais” que não resolvem nenhum problema estratégico. Programas bonitos no papel, tendências do momento, projetos que geram buzz interno mas não movem o ponteiro do negócio.
“Dados mata a discussão”, disse ele. E é isso: quando o RH se ancora em métricas reais turnover por área, absenteísmo, tempo de contratação, desempenho por cluster ele para de perseguir modismo e passa a priorizar o que gera impacto.
O RH estratégico é aquele que tem coragem de dizer não para o que não prioriza. Que escolhe poucas frentes, as executa com profundidade e comprova o retorno para a liderança executiva.
O RH que o negócio precisa começa por você
A palestra de Alessandro Bonorino no RH Summit deixou uma mensagem que não tem como ser ignorada: o RH estratégico não se anuncia ele aparece nos resultados. Ele aparece quando o CEO confia na área para tomar decisões sobre pessoas. Quando os dados de engajamento chegam antes do problema virar crise. Quando a cultura é tão forte que vira vantagem competitiva.
Para chegar lá, o caminho passa por resolver o operacional com tecnologia, dominar o negócio com dados e focar no humano com intencionalidade.
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