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Saúde mental como gestão de risco: o que muda com a nova NR-1

Igor Torrente
05.05.2026
3 min de leitura
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A nova NR-1 entra em vigor a partir de 26 de maio. Para Willian Tadeu Gil, diretor executivo de pessoas, jurídico e governança corporativa da VR, tratar a norma como obrigação trabalhista do RH é o erro mais comum que as empresas estão cometendo. Em palestra no Palco Resultados do RH Summit 2026, ele defendeu uma leitura diferente: NR-1 é gestão de risco corporativo e saúde mental é variável de negócio.

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O argumento parte de uma analogia histórica. Décadas atrás, o problema eram os acidentes de trabalho. A resposta veio com o equipamento de proteção individual e uma regulação que deixou de ser reativa para se tornar preventiva. Em 1976, o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) atacou outro risco visível da época, a subnutrição que derrubava a produtividade nas fábricas. Os dois casos seguem o mesmo padrão. A sociedade identifica um problema, a iniciativa privada começa a reagir e o Estado regulamenta. A NR-1 repete o roteiro, agora aplicado à saúde mental.

A diferença está na natureza do risco. “O risco agora é invisível”, afirmou Gil. Acidente físico se vê. Subnutrição se mede. Já o esgotamento, a ansiedade e o estresse não emitem sinal claro até que a equipe adoeça e aí já é tarde. Os números sustentam a urgência: afastamentos por fadiga, esgotamento e estresse mais que dobraram, e o Brasil aparece em pesquisas globais como o país mais ansioso do mundo.

Foi nesse ponto que Gil trouxe o argumento central da palestra. Reduzir a NR-1 a um exercício de compliance é o caminho mais rápido para perder dinheiro com ela. “O compliance é o ponto de partida, nunca pode ser o ponto de chegada”, repetiu. Ajustar políticas e processos cumpre a norma. Não muda a operação. O que muda a operação é a execução continuada com base em dados.

Para isso, ele insistiu em separar dois papéis que tendem a se misturar nas empresas. O RH precisa engajar a organização e fazer a discussão sair do discurso. A liderança precisa executar. As duas funções respondem por coisas diferentes, e jogar a NR-1 inteira no colo do RH é receita para resultado pobre.

O fechamento amarrou pessoas, performance e resultado em uma equação só. O EPI virou padrão de mercado e cortou acidentes. O PAT melhorou a nutrição e a produtividade. E a NR-1 tem potencial para fazer o mesmo com saúde mental, desde que as empresas parem de tratá-la como burocracia. Quem antecipar riscos vai reduzir afastamentos, melhorar previsibilidade da operação e evitar perdas que vão muito além do caixa. Quem ficar no compliance básico vai cumprir a lei e perder o diferencial competitivo que a norma abre.

A mensagem de Gil para sair da palestra cabe em uma linha. Maio não é a data de chegada, é apenas a largada.

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