Segundo dados do Tribunal Superior do Trabalho, em 2025 a Justiça do Trabalho recebeu 142.828 novos processos de assédio moral no trabalho, um aumento de 22% em relação ao ano anterior.
Com isso, o assédio moral no ambiente corporativo entrou de vez nas discussões. E não só pelo lado jurídico, mas principalmente pelo impacto que esse tipo de situação tem no dia a dia das equipes.
Isso porque casos de abuso de poder no trabalho e comportamentos inadequados afetam diretamente o clima organizacional, o engajamento e até a forma como as pessoas se relacionam dentro da empresa.
Ao longo deste conteúdo, você vai entender o que é assédio moral no trabalho, conhecer os principais tipos e entender como as empresas podem lidar com esse problema na prática. Continue a leitura para conferir!
O que é assédio moral?
Antes de trazer o contexto corporativo, é importante entender o conceito de forma mais ampla. O assédio moral acontece quando uma pessoa é exposta, de forma repetitiva, a situações constrangedoras, humilhantes ou abusivas, que afetam sua dignidade e integridade emocional.
Isso pode ocorrer por meio de atitudes, palavras, gestos ou comportamentos que criam um ambiente hostil ou desconfortável. Ou seja, mais do que um episódio isolado, o assédio moral se caracteriza pela repetição e pelo impacto negativo contínuo sobre quem sofre esse tipo de situação.
Já o assédio moral no ambiente de trabalho, acontece quando a pessoa colaboradora é exposta a essas situações durante sua rotina, o que torna o impacto ainda mais intenso.
Mais do que um conflito pontual, o abuso moral no trabalho se caracteriza pela repetição e pela intenção ou efeito de desestabilizar emocionalmente alguém.
Quais são os tipos de assédio moral no trabalho?
O assédio pode se manifestar de diferentes formas no dia a dia corporativo. Entender essas variações é essencial para identificar o problema com mais facilidade. De modo geral, os principais tipos de assédio moral no trabalho são:
Assédio vertical (descendente)
É o mais comum e acontece quando lideranças adotam comportamentos abusivos em relação às suas equipes. Nesse caso, o abuso de poder no trabalho se manifesta por meio de cobranças excessivas, exposição ao ridículo ou pressão constante.
Assédio vertical (ascendente)
Embora menos frequente, também pode acontecer o contrário: quando uma equipe pratica comportamentos abusivos contra uma liderança. Isso pode incluir desrespeito contínuo, sabotagem ou isolamento de quem lidera.
Assédio horizontal
Ocorre entre colegas de trabalho do mesmo nível hierárquico. Aqui, o abuso costuma aparecer em forma de boatos, exclusão, competição desleal ou atitudes que prejudicam o relacionamento interpessoal.
Assédio misto
Nesse caso, a pessoa colaboradora sofre pressão tanto de lideranças quanto de colegas. Esse é um dos cenários mais delicados, já que o ambiente como um todo se torna desfavorável e difícil de reverter.
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Assédio moral no trabalho: exemplos práticos
Nem sempre o assédio moral é fácil de identificar à primeira vista. Muitas situações acabam sendo normalizadas no dia a dia, o que torna o problema ainda mais grave. Para ajudar a reconhecer, veja alguns exemplos de assédio moral no trabalho:
- Expor erros de forma humilhante diante da equipe.
- Ignorar ou isolar uma pessoa colaboradora propositalmente.
- Estabelecer metas impossíveis como forma de pressão.
- Fazer críticas constantes sem orientação ou apoio.
- Espalhar boatos ou comentários ofensivos.
- Controlar excessivamente tarefas de forma desproporcional.
Perceba que, na maioria dos casos, o problema não está em uma ação isolada, mas na repetição desses comportamentos ao longo do tempo. E é justamente essa repetição que caracteriza o assédio moral no ambiente de trabalho.
Assédio moral no trabalho: o que diz a lei?
Quando o assunto é legislação, é comum surgirem dúvidas a respeito dos direitos da pessoa colaboradora diante de uma situação de assédio moral no ambiente de trabalho.
Embora a legislação brasileira não traga uma definição única e direta sobre o tema, isso não significa que ele esteja sem amparo legal. Pelo contrário: o assédio pode ser enquadrado em diferentes dispositivos.
Um dos principais é o Art. 483 CLT que trata da chamada rescisão indireta do contrato de trabalho, quando a pessoa colaboradora pode encerrar o vínculo por falta grave da empresa ou da pessoa empregadora.
Ou seja, quando a empresa não previne ou não atua diante de comportamentos abusivos, ela também pode ser responsabilizada. Mas é importante ir além da obrigação legal. Combater o assédio deve fazer parte da cultura da empresa e da forma como a gestão de pessoas é conduzida no dia a dia.
Assédio moral no trabalho: o que fazer se você for vítima?
Se você está passando por uma situação de assédio moral no trabalho, saiba que existem caminhos para se proteger e buscar seus direitos. Entre as principais medidas que podem ser tomadas, estão:
- Registrar evidências das situações (mensagens, e-mails e testemunhas).
- Buscar apoio interno, como o RH ou canais de denúncia.
- Procurar orientação jurídica, se necessário.
Como as empresas devem lidar com o assédio moral?
Para as empresas, a responsabilidade é ainda maior. Afinal, é papel da organização garantir um ambiente seguro e respeitoso para que as pessoas se sintam à vontade para falar.
Mais do que reagir a casos isolados, as empresas precisam atuar de forma preventiva e estruturada. Isso começa com o reconhecimento de que o assédio moral no ambiente de trabalho pode acontecer e deve ser combatido de forma ativa. Confira algumas ações essenciais:
1. Criar políticas claras
O primeiro passo é estabelecer regras objetivas sobre comportamentos aceitáveis e inaceitáveis. Essas diretrizes ajudam a evitar interpretações equivocadas e deixam claro que o abuso de poder no trabalho não será tolerado.
2. Estabelecer canais seguros de denúncia
Para que as pessoas se sintam à vontade para relatar situações, é essencial oferecer canais confidenciais e acessíveis. Além disso, a empresa precisa garantir que não haverá retaliação contra quem denuncia.
3. Treinar as lideranças
As lideranças têm papel fundamental na prevenção. Por isso, investir em capacitação ajuda a evitar práticas de abuso moral no trabalho e fortalece uma gestão mais consciente e humanizada.
4. Investigar e agir rapidamente
Ao receber uma denúncia, a empresa precisa agir com seriedade e agilidade. Isso envolve conduzir uma investigação imparcial, ouvir todas as partes envolvidas e avaliar os fatos com responsabilidade. Mais do que apurar o que aconteceu, é fundamental dar uma resposta clara e tomar as medidas necessárias o quanto antes.
Ignorar, adiar ou minimizar situações de assédio moral no ambiente de trabalho só tende a agravar o problema, e os impactos podem ser ainda maiores, tanto para as pessoas quanto para a própria empresa.
Combater o assédio moral no trabalho: mais que obrigação, uma estratégia
Mais do que uma obrigação legal, combater o assédio moral no ambiente de trabalho é uma decisão estratégica para as empresas. Afinal, ambientes seguros e respeitosos favorecem o engajamento, fortalecem a cultura organizacional e contribuem diretamente para melhores resultados.
Quando a empresa se posiciona de forma clara contra o abuso de poder no trabalho e investe em relações mais saudáveis, ela não apenas reduz riscos, mas também constrói um espaço onde as pessoas se sentem valorizadas, ouvidas e parte do negócio.
Por isso, olhar para o tema com atenção e agir de forma preventiva é um passo essencial para qualquer organização que deseja crescer de forma sustentável.
Se você quer continuar se aprofundando em temas como gestão de pessoas, cultura organizacional e boas práticas no ambiente corporativo, continue acompanhando os conteúdos do blog da VR.
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Imagem de capa – Fonte: Freepik (2026)

