Licença-nojo: o que é e quantos dias as pessoas trabalhadoras têm direito

Entenda o que é licença-nojo, como funciona o afastamento do trabalho por luto, quantos dias a pessoa colaboradora tem direito e o que diz a CLT.
VR
09.07.2026
6 min de leitura
Homem jovem de cabelo cacheado e barba foca a atenção na tela de um notebook, com as mãos entrelaçadas em mesa de madeira.
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Perder uma pessoa próxima é uma situação delicada, que afeta tanto o emocional quanto a rotina pessoal e profissional. Por isso, a legislação trabalhista garante um período de afastamento remunerado para que a pessoa trabalhadora possa lidar com questões familiares e burocráticas sem prejuízo ao salário. 

Esse direito é chamado de licença-nojo e está previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Apesar do nome pouco conhecido, trata-se de uma garantia trabalhista concedida em casos de falecimento de familiares próximos. 

Neste artigo, você vai entender o que é licença-nojo, quantos dias a pessoa colaboradora tem direito, quais familiares estão incluídos na regra e como funciona esse afastamento na prática.

O que é e como funciona a licença-nojo

A licença-nojo (licença-luto) é o afastamento remunerado para que a pessoa consiga lidar com questões emocionais, familiares e burocráticas relacionadas ao falecimento de algum familiar, como velório, sepultamento e organização de documentos.

É um direito previsto no Art. 473 da CLT, que determina situações em que a pessoa trabalhadora pode deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo salarial. 

Apesar de o nome causar estranhamento para muita gente, o termo “nojo” tem origem portuguesa e está relacionado ao luto e ao sentimento de pesar pela perda de uma pessoa próxima. 

Leia também: Falecimento do empregado — como a empresa deve proceder?

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Quantos dias de licença-nojo a pessoa trabalhadora tem direito? 

A pessoa trabalhadora contratada pelo regime CLT pode se ausentar por até 2 dias consecutivos em caso de falecimento de familiares previstos na legislação, sem prejuízo do salário. 

Na prática, a contagem considera os dias em que a pessoa colaboradora estaria escalada para trabalhar, conforme entendimento da jurisprudência trabalhista. 

Além disso, algumas categorias profissionais podem ter regras diferentes e períodos maiores de afastamento definidos em convenções coletivas, acordos trabalhistas ou políticas internas das empresas. 

Leia também: Licença casamento — o que é, regras e prazos do benefício.

Quem tem direito à licença-nojo?

A licença é concedida em caso de falecimento de familiares considerados próximos pela legislação trabalhista. De forma geral, a CLT prevê esse direito nas seguintes situações: 

  • cônjuge;
  • pais;
  • filhos(as);
  • irmãos(as);
  • pessoa que viva sob dependência econômica da pessoa trabalhadora e esteja registrada na Previdência Social.

Além das regras previstas, algumas convenções coletivas podem ampliar esse direito e incluir outros vínculos familiares, como avós, sogros(as), enteados(as) ou companheiros(as) em união estável. 

Como o RH deve agir em casos de licença-nojo? 

Em situações de perda familiar, o RH tem um papel importante tanto no cumprimento das obrigações trabalhistas quanto no acolhimento da pessoa colaboradora. 

Por isso, é essencial existir um processo claro, organizado e humanizado para lidar com esse tipo de afastamento. Confira algumas práticas que podem ajudar: 

Oriente sobre o direito ao afastamento 

Assim que receber a comunicação do falecimento, o RH deve informar à pessoa colaboradora sobre o período de licença previsto na legislação ou em convenção coletiva, além de explicar como funcionará o afastamento. 

Solicite os documentos necessários com sensibilidade 

Em muitos casos, a empresa pode solicitar a certidão de óbito ou outro documento comprobatório. No entanto, esse processo deve ser conduzido de forma respeitosa e sem cobranças excessivas em um momento delicado. 

Mantenha os registros organizados 

Registrar corretamente o afastamento ajuda a evitar erros na folha de pagamento, problemas trabalhistas e inconsistências nos controles internos da empresa. 

Adote uma comunicação mais empática

Além das questões burocráticas, é importante que lideranças e equipes demonstrem acolhimento e respeito durante o período de luto. Uma comunicação mais humanizada e uma boa escuta ativa podem fazer diferença no bem-estar emocional da pessoa colaboradora.

Leia também: RH estratégico — como sentar à mesa das decisões.

Tire suas dúvidas sobre licença-nojo 

Mesmo com as informações principais sobre a licença-nojo, é natural que ainda surjam dúvidas específicas no dia a dia do RH ou por parte das próprias pessoas colaboradoras. 

Por isso, respondemos abaixo às questões mais comuns sobre o tema para ajudar a esclarecer situações que a legislação nem sempre aborda de forma direta. Confira: 

1. O que acontece se o falecimento ocorrer durante as férias da pessoa colaboradora? 

As férias não são interrompidas pela licença-nojo. Como a pessoa já está afastada do trabalho, os dias de licença não são acrescidos ao período de descanso. Algumas convenções coletivas, porém, podem prever exceções. 

2. A licença-nojo se aplica a trabalhadores e trabalhadoras em regime de home office? 

Sim. O regime de trabalho não interfere no direito à licença, que se aplica igualmente a profissionais que atuam no trabalho híbrido, presencial ou trabalho remoto

3. É possível estender o afastamento do trabalho por luto além dos dias previstos? 

Sim. A pessoa colaboradora pode, em acordo com a empresa, utilizar outros tipos de licença, como dias de folga compensatórios ou licença não remunerada, caso precise de mais tempo. 

4. O período de licença-nojo conta para o cálculo de férias e 13º salário? 

Sim. Por se tratar de uma ausência legalmente justificada e remunerada, os dias não são descontados e não prejudicam o 13º salário e nenhum outro benefício. 


A licença-nojo é um direito trabalhista importante para garantir que a pessoa colaboradora possa lidar com um momento de perda com mais tranquilidade, acolhimento e segurança. 

Além do cumprimento das obrigações previstas na legislação, a forma como a empresa conduz esse afastamento também faz diferença no bem-estar emocional das equipes e no fortalecimento de uma cultura organizacional mais humanizada.

Por isso, investir em processos organizados, comunicação empática e uma gestão de pessoas mais estratégica ajuda o RH a lidar com esse tipo de situação de forma mais eficiente e respeitosa.

O RH Digital da VR reúne soluções como controle de ponto, gestão de férias e folgas e muito mais — tudo em um só lugar para que, em momentos delicados como a licença-nojo, o RH possa agir com mais agilidade e cuidado. 

Leia também: Licença-maternidade — direitos e regras para empresas e colaboradoras

Imagem de capa — Fonte: Karlyukav / Freepik – Magnific.com (2026)

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