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Convenção coletiva de trabalho: como funciona e qual o papel do RH nesse processo

Saiba o que é convenção coletiva de trabalho, como funciona o processo de negociação entre sindicatos e qual é o papel estratégico do RH na aplicação.
VR
04.02.2026
7 min de leitura
Público diversificado sentado em um auditório iluminado, sorrindo e aplaudindo durante um evento ou palestra corporativa.
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Negociações trabalhistas nem sempre acontecem apenas entre empresas e pessoas colaboradoras. Em muitos casos, são os sindicatos que definem os direitos específicos para uma categoria.

É neste cenário que entra a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), um acordo que pode alterar jornadas, salários, benefícios e até regras de contratação, o que exige atenção constante do RH.

Neste texto, você vai entender mais sobre o que é convenção coletiva de trabalho, como ela funciona, na prática, e qual é o papel estratégico da área de Recursos Humanos nesse processo. Continue a leitura para conferir!

Convenção coletiva: o que é?

A conversão coletiva é um acordo negociado entre o sindicato de trabalhadores e trabalhadoras e o sindicato patronal, com o objetivo de definir condições específicas de trabalho para determinada categoria profissional.

Sua base legal está nos Artigos 611 e 613 da CLT, que reconhecem esses acordos como instrumentos válidos e capazes de estabelecer regras que valem acima da lei quando ampliam direitos ou quando a reforma trabalhista permite negociação.

Ou seja, a convenção coletiva do trabalho tem força jurídica e impacta diretamente a rotina do RH, a folha de pagamento e a gestão de pessoas.

Leia também: Entenda como funciona o acordo coletivo na Reforma Trabalhista

Como funciona a convenção coletiva de trabalho?

A convenção coletiva de trabalho não é apenas um documento burocrático: ela é o resultado de um processo de diálogo entre representantes das pessoas colaboradoras e empregadoras. É desse acordo que surgem regras que impactam diretamente a rotina das empresas e os direitos trabalhistas.

Para que esses acordos sejam válidos, o processo de negociação coletiva segue etapas estruturadas, embora cada setor possa ter particularidades. De forma geral, o ciclo inclui:

  1. Pauta de reivindicações da categoria.
  2. Reuniões de negociação entre os sindicatos.
  3. Elaboração da minuta do acordo.
  4. Aprovação em assembleia dos trabalhadores e trabalhadoras.
  5. Registro no sistema Mediador do governo e publicação.

Após assinada, a CCT passa a valer, geralmente pelo período de 1 ano, e deve ser cumprida obrigatoriamente por todas as empresas da categoria. O descumprimento pode resultar em passivos trabalhistas, multas e ações coletivas, trazendo riscos tanto financeiros quanto reputacionais para a organização.

Qual é a diferença entre acordo coletivo e convenção coletiva?

Embora muitas vezes sejam usados como sinônimos, acordo coletivo e convenção coletiva têm diferenças importantes na negociação e no alcance. A lógica é simples: um trata da categoria inteira e o outro atende a necessidades específicas de uma empresa.

Confira um comparativo:

InstrumentoQuem negocia?Abrangência
Convenção coletiva de trabalho (CCT)Sindicato das pessoas trabalhadores + sindicato patronalVale para toda a categoria profissional
Acordo coletivo de trabalho (ACT)Sindicato das pessoas  trabalhadoras + uma única empresaAplica-se apenas aos colaboradores e colaboradoras desta empresa

Importante: empresas com dinâmicas específicas podem negociar um acordo próprio (ACT). Porém, a convenção (CCT) funciona como piso mínimo. Ou seja, nada pode ficar abaixo do que ela determina quando amplia direitos ou quando a legislação permite negociação.

O que a convenção coletiva pode definir?

A convenção coletiva de trabalho permite complementar, ajustar e até alterar condições previstas na CLT, desde que a lei autorize a negociação e os acordos tragam equilíbrio para ambas as partes.

Entre os temas mais comuns definidos em uma CCT, estão:

Atenção RH: lembre-se que quando um benefício é definido em convenção, ele passa a ser obrigatório para todas as empresas da categoria, mesmo que não esteja previsto na legislação federal. Isso exige monitoramento constante das atualizações.

Leia também: Cuidar do seu time é investir no futuro da sua empresa — plano de saúde, odontológico e seguro de vida, a tríade imbatível

Qual é o papel do RH na convenção coletiva?

A convenção coletiva pode definir rotinas, benefícios, custos e até a forma como o trabalho é organizado dentro das empresas. Por isso, é papel do RH garantir que a empresa esteja alinhada com a convenção, evite riscos e transforme as regras em práticas do dia a dia.

Isso envolve diferentes responsabilidades estratégicas, como:

1. Monitorar prazos e validade

A convenção coletiva tem prazo determinado e, quando expira, pode trazer mudanças significativas na nova negociação. Por conta disso, o RH não pode agir apenas de forma reativa. É essencial acompanhar vencimentos e atualizações para antecipar impactos financeiros, operacionais e de benefícios, evitando surpresas e decisões às pressas.

2. Participar das assembleias e manter diálogo com os sindicatos

Mesmo que não conduza a negociação, o RH deve atuar como porta-voz das necessidades da empresa. Participar de assembleias, fornecer dados confiáveis e esclarecer desafios internos ajuda a construir acordos mais equilibrados.

Além disso, manter uma postura colaborativa e transparente fortalece o relacionamento com os sindicatos e contribui para negociações mais justas para ambas as partes.

3. Ajustar processos internos

Toda mudança prevista na CCT pode impactar a rotina administrativa da empresa. Por isso, o RH precisa revisar e atualizar rapidamente os processos que envolvem direitos trabalhistas e remuneração. Entre as ações mais comuns estão:

Essas atualizações devem ser planejadas e implementadas com agilidade, garantindo conformidade legal e evitando prejuízos para a empresa e para as pessoas colaboradoras.

Leia também: Décimo Terceiro! Saiba como organizar o pagamento da remuneração na sua empresa!

4. Reduzir passivos trabalhistas

Conhecer a convenção coletiva evita erros que podem custar caro. Pequenos deslizes, como pagar o piso errado ou não seguir regras de jornada, podem virar multas ou processos.

5. Orientar líderes e pessoas colaboradoras

Após a publicação da CCT, o RH deve garantir que todos saibam exatamente o que mudou e como aplicar as novas regras. Isso inclui orientar lideranças, esclarecer dúvidas das equipes e comunicar impactos em processos, benefícios ou rotinas de trabalho. Uma divulgação clara evita interpretações equivocadas e fortalece a conformidade em toda a empresa.

Leia também: RH ágil na prática — um guia completo para revolucionar sua gestão de pessoas

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Leia também: GED — o que é e como funciona o Gerenciamento Eletrônico de Documentos

Imagem de capa: Freepik (2025) 

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