O que é fator acidentário de prevenção

Entenda o que é FAP (Fator Acidentário de Prevenção), como calcular, qual a relação com o RAT e como ações de segurança ajudam a reduzir custos.
VR
02.08.2026
6 min de leitura
Mulher de cabelo curto e camisa marrom sorri de braços cruzados em escritório, ao lado de um vidro reflexivo.
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O Fator Acidentário de Prevenção (FAP) é um dos indicadores que mais impactam os custos previdenciários das empresas, principalmente por estar diretamente ligado aos índices de acidentes de trabalho, afastamentos e doenças ocupacionais registrados ao longo do tempo.

Por isso, acompanhar o FAP e investir em ações de prevenção se tornou uma estratégia importante não apenas para a saúde e segurança das equipes, mas também para o controle financeiro da empresa.

Neste artigo, você vai entender o que é FAP, como ele funciona, quais fatores influenciam esse cálculo e como o RH pode ajudar a reduzir impactos de forma mais estratégica.

O que é Fator Acidentário de Prevenção (FAP)? 

O Fator Acidentário de Prevenção (FAP) é um índice criado pela Previdência Social para avaliar o desempenho das empresas em relação à segurança e saúde no trabalho.

Na prática, organizações com menor número de acidentes, afastamentos e registros de doenças ocupacionais podem ter redução no valor do encargo. Já empresas com índices mais elevados de ocorrências sofrem um aumento na contribuição previdenciária.

Leia também: INSS patronal — o que é e como funciona?

Como funciona o FAP?

Esse indicador funciona como um multiplicador aplicado sobre a alíquota do RAT (Riscos Ambientais do Trabalho), podendo reduzir ou aumentar o valor da contribuição previdenciária paga pela empresa. O índice do FAP varia entre 0,5 e 2,0: 

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  • FAP 0,5 → reduz o valor do RAT pela metade.
  • FAP 1,0 → mantém a contribuição original.
  • FAP 2,0 → dobra o valor do encargo.

O cálculo do FAP é feito anualmente e considera sempre o histórico de ocorrências dos dois anos anteriores ao ano de vigência. Outro ponto importante é que, desde 2017, os acidentes de trajeto (aqueles que ocorrem no percurso entre a casa e o trabalho) não entram no cálculo do FAP, restando apenas os acidentes típicos e as doenças ocupacionais. 

Por esse motivo, o FAP funciona como um forte incentivo financeiro para que as empresas invistam constantemente em prevenção e segurança do trabalho

Como calcular o FAP

Para saber o quanto sua empresa de fato pagará de contribuição previdenciária, aplica-se a seguinte fórmula oficial: 

  • RAT Ajustado = RAT X FAP

Imagine, por exemplo, uma empresa com uma folha de pagamento de R$ 200 mil e uma alíquota base de RAT de 2%. Veja como o FAP muda completamente o cenário financeiro: 

Cenário A (FAP de 0,5 — Empresa segura) 

Primeiro, aplica-se o multiplicador ao RAT: 

 

  • 2 % x 05 = 1% (RAT Ajustado).

Agora, calcula-se o valor sobre a folha: 

  • R$ 200.000,00 x 1% =  R$ 2.000,00.

Cenário B (FAP de 2,0 — Empresa com alta acidentalidade) 

Primeiro, aplica-se o multiplicador ao RAT: 

  • 2% x 2,0 = 4% (RAT Ajustado).

Agora, calcula-se o valor sobre a folha: 

  • R$ 200.000,00 x 4% = R$ 8.000,00.

Perceba que, sob as mesmas condições de mercado e de pessoas funcionárias, a empresa do cenário B gasta R$ 6.000,00 a mais por mês apenas por não gerenciar corretamente seus indicadores de saúde e segurança ocupacional. 

Como consultar o FAP da sua empresa? 

Os índices do FAP são processados e divulgados anualmente pela Previdência Social (geralmente no fim do mês de setembro, para vigorar no ano seguinte). Para descobrir o multiplicador atual da sua organização, o processo pode ser feito 100% de forma digital: 

  1. Acesse o portal oficial: entre na aplicação do FAP Web hospedada no site da Dataprev ou pelo portal do Gov.br.
  2. Faça o login: o acesso exige autenticação por meio do sistema Gov.br (com contas de nível prata ou ouro) ou utilizando o Certificado Digital da empresa (CNPJ).
  3. Informe os dados: insira o CNPJ da empresa (raiz) e selecione o ano de vigência que deseja consultar.
  4. Analise o extrato: o sistema apresentará o valor do FAP da empresa e detalhará os elementos que compuseram o cálculo, como o número de auxílios-doença e as comunicações de acidentes de trabalho (CAT) emitidas no período de apuração.

(Nota: o valor do FAP também é integrado diretamente ao eSocial nos eventos de tabela de lotações tributárias, mas a consulta detalhada com o espelho do cálculo deve ser feita pelo portal oficial). 

Como o RH pode ajudar a reduzir o impacto do FAP? 

O RH tem um papel estratégico na redução dos impactos do FAP, principalmente por atuar diretamente na gestão de pessoas. Investir em prevenção e acompanhamento contínuo ajuda a reduzir riscos e melhorar os indicadores da empresa ao longo do tempo. Confira algumas práticas que podem ajudar:

  • Incentive uma cultura de segurança no dia a dia: a prevenção não deve acontecer apenas em treinamentos obrigatórios. Criar uma cultura de segurança envolve manter orientações constantes, reforçar boas práticas e estimular a participação das equipes nos cuidados com o ambiente de trabalho.  
  • Estruture processos internos com mais controle: ter informações organizadas facilita o acompanhamento das obrigações trabalhistas e reduz falhas que podem gerar inconsistências nos registros ocupacionais. Para isso, contar com um GED (Gerenciamento Eletrônico de Documentos) pode fazer toda a diferença. 
  • Acompanhe indicadores para agir de forma preventiva:  monitorar dados relacionados a acidentes, afastamentos e condições de trabalho ajuda a identificar padrões e antecipar problemas antes que eles gerem impactos maiores.  
  • Use tecnologia para ganhar mais controle e agilidade: soluções como o RH Digital da VR ajudam a centralizar processos relacionados à gestão de pessoas, trazendo mais organização, agilidade e controle para o acompanhamento de afastamentos, documentos e indicadores.

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Leia também: Atestado de saúde ocupacional — o que é, para que serve e quando é obrigatório

Imagem de capa — Fonte: benzoix / Freepik – Magnific.com (2026)

 

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