Entrevista de desligamento: como conduzir e por que é essencial para o RH

VR
24.08.2026
10 min de leitura
Mulher de óculos e blazer bege gesticula e sorri durante conversa profissional com colega em mesa de escritório.
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A entrevista de desligamento é uma etapa importante para entender a experiência de quem está deixando a empresa e identificar oportunidades de melhoria. Ainda assim, enquanto muitas organizações investem em recrutamento, integração e onboarding, o momento da saída costuma receber pouca atenção e ser tratado apenas como uma formalidade.

Com isso, a empresa pode perder a chance de ouvir feedbacks sinceros sobre a liderança, o ambiente de trabalho, os processos e desafios da rotina. Afinal, quem está encerrando seu ciclo profissional tende a compartilhar percepções que talvez não tenham surgido durante o vínculo.

Neste artigo, você vai entender o que é a entrevista de desligamento, por que ela é importante, como conduzi-la e como transformar as informações coletadas em melhorias para a organização.

O que é entrevista de desligamento?

A entrevista de desligamento é uma conversa estruturada realizada pelo RH com a pessoa que está saindo da empresa. O objetivo é coletar feedbacks sobre a experiência de trabalho, os motivos da saída e os pontos de melhoria, informações que, na maioria das vezes, não chegam ao RH por nenhum outro canal.

Ela pode acontecer tanto em demissões voluntárias quanto em desligamentos feitos pela empresa. Em ambos os casos, a escuta ativa e o respeito pelo momento da pessoa são o que definem a qualidade do que será compartilhado.

Leia também: Quais são os tipos de demissão?

Entrevista de desligamento e offboarding: qual a relação?

O offboarding é o processo completo de saída de uma pessoa colaboradora. Ele envolve a devolução de equipamentos, o encerramento de acessos, a comunicação interna sobre a saída e, principalmente, a condução do processo de desligamento da empresa de forma organizada e respeitosa.

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Dentro desse processo, a entrevista de desligamento é o momento mais humano e estratégico. É quando a empresa finalmente ouve o que não ouviu durante o vínculo, com a vantagem de que a pessoa tem mais liberdade para ser honesta.

Um offboarding bem conduzido também protege a reputação da empresa: quem sai bem costuma falar bem, e isso impacta diretamente a marca empregadora no mercado.

Leia também: Carta de demissão — saiba o que deve ser feito após recebê-la

Por que a entrevista de desligamento é importante para o RH?

A entrevista de desligamento vai muito além de uma formalidade. Quando bem conduzidas e analisadas, geram informações valiosas que ajudam a aprimorar processos e construir uma experiência mais positiva para colaboradores e colaboradoras. Confira alguns dos principais benefícios dessa prática: 

Reduz o turnover a longo prazo

Cada saída tem uma razão. Em alguns casos, o motivo é específico daquela pessoa. Em outros, as entrevistas de desligamento revelam problemas recorrentes, como dificuldades na relação com a liderança, clima organizacional negativo, remuneração incompatível com o mercado ou falta de oportunidades de crescimento. 

Quando o RH identifica que essas questões se repetem entre diferentes colaboradores e colaboradoras, consegue implementar melhorias e agir preventivamente para evitar novas saídas pelos mesmos motivos. 

A entrevista de desligamento não traz de volta quem foi, mas pode evitar que outras pessoas saiam pelo mesmo motivo. Isso tem impacto direto nos custos de turnover, que incluem processo seletivo, treinamento e o tempo que a equipe leva para se reorganizar.

Fortalece a cultura organizacional

Toda empresa tem valores declarados. A questão é o quanto esses valores são vivenciados na prática. O feedback de desligamento revela com clareza as inconsistências entre o que a empresa diz que é e o que as pessoas de fato experienciam no dia a dia.

Essas informações são insumo direto para ajustes de cultura, revisão de práticas de liderança e melhoria do clima organizacional. Ignorá-las é perder uma oportunidade de aprendizado que nenhuma consultoria externa consegue entregar com a mesma autenticidade.

Contribui para uma demissão humanizada

A forma como a empresa trata as pessoas na saída diz muito sobre como ela as trata no geral. Uma entrevista conduzida com respeito, escuta ativa e sem julgamento transforma um momento delicado em uma experiência mais digna para quem está saindo.

Leia também: Quais são os principais tipos de feedback e quando usar cada um?

Como conduzir uma entrevista de desligamento na prática?

Conduzir bem uma entrevista de desligamento não depende de roteiros complexos, mas de alguns cuidados que fazem toda a diferença.

O ponto de partida é o tom na conversa: ela precisa ser percebida como segura e confidencial, e isso começa antes mesmo do primeiro contato. Confira a seguir alguns passos importantes:

Defina o momento e o formato certo

A entrevista deve acontecer após a comunicação do desligamento, mas antes do último dia de trabalho. Esse intervalo é o mais adequado porque a pessoa ainda está acessível, o vínculo não foi completamente encerrado e as memórias sobre a experiência estão frescas.

Quanto ao formato, ele pode ser presencial, por videoconferência ou por formulário escrito, dependendo do perfil da pessoa. O importante é que o meio escolhido favoreça a honestidade e que a pessoa saiba com antecedência o que esperar da conversa.

Crie um ambiente seguro para o feedback

As informações que a pessoa vai compartilhar dependem diretamente de quanto ela acredita na confidencialidade da conversa. Por isso, a entrevista de desligamento não deve ser conduzida pela liderança direta; o ideal é que seja feita pelo RH ou por alguém que a pessoa perceba como “neutra”.

Durante a conversa, é essencial evitar interrupções, não rebater as respostas e demonstrar interesse pelo que está sendo dito.

Exemplos de perguntas para entrevista de desligamento

Mais do que um questionário longo, o que define uma boa entrevista de desligamento é a qualidade das perguntas; elas precisam abrir espaço para respostas honestas, sem direcionar ou constranger. A seguir, confira algumas sugestões organizadas por tema:

Motivo da saída

  • O que motivou a decisão de sair? (em casos de pedido de demissão). 
  • Houve algum momento específico que pesou nessa decisão?

Experiência no cargo

  • O que você considerava como pontos fortes da sua função?
  • Onde havia espaço para melhorar?

Clima e cultura

  • Como você descreveria o ambiente de trabalho?
  • Você sentia que os valores da empresa eram vivenciados na prática?

Liderança

O que poderia ter sido diferente

  • Se algo pudesse ter sido mudado, o que teria feito você considerar a permanência na empresa?

Essas perguntas são um ponto de partida. Cada empresa pode adaptá-las à sua realidade, ao cargo da pessoa e ao tipo de desligamento.

O que fazer com os dados da entrevista de desligamento?

Coletar o feedback é apenas metade do trabalho. A outra metade é transformar esses dados em ação; é exatamente aqui que muitas empresas falham. A entrevista acontece, o formulário é preenchido e as informações ficam guardadas sem nunca chegarem a quem pode agir sobre elas.

Para que o processo de desligamento gere valor real, dois passos são essenciais.

Registre, organize e identifique padrões

Cada entrevista deve ser registrada de forma padronizada, preferencialmente em um sistema ou planilha que permita cruzar as respostas ao longo do tempo. Uma resposta isolada pode ser circunstancial; um padrão que se repete em várias entrevistas é um sinal claro de que algo precisa mudar.

O ideal é revisar esses dados periodicamente, não apenas quando há uma onda de desligamentos. A análise contínua é o que permite identificar tendências antes que se tornem crises.

Leve os insights para a gestão

O RH não pode ser o único setor em posse dessas informações. Os dados precisam chegar para as lideranças e, quando relevante, para a diretoria, com análises que conectem os feedbacks a indicadores como turnover, absenteísmo e resultados de pesquisas de clima.

Transformar o feedback de desligamento em relatórios periódicos e apresentá-los como dado estratégico é uma das formas mais eficazes de o RH ganhar protagonismo nas decisões de gestão de pessoas.

Dúvidas frequentes sobre entrevista de desligamento

Apesar de ser uma prática cada vez mais adotada pelas empresas, a entrevista de desligamento ainda gera muitas dúvidas entre profissionais de RH, lideranças e pessoas colaboradoras. 

A seguir, respondemos a algumas das perguntas mais comuns sobre o tema. Confira:

1. A entrevista de desligamento é obrigatória por lei? 

Não. A legislação trabalhista brasileira não exige a entrevista de desligamento. Ela é uma prática de gestão de pessoas e, justamente por ser voluntária, quando acontece, transmite um sinal importante sobre o cuidado da empresa com quem está saindo.

2. O que fazer quando a pessoa se recusa a participar? 

A participação deve ser sempre voluntária. Se a pessoa não quiser participar, a decisão deve ser respeitada sem questionamentos. Forçar ou pressionar a conversa compromete a confidencialidade, gera desconforto e vai contra os princípios de uma demissão humanizada. Em alguns casos, oferecer o formulário escrito como alternativa pode facilitar a adesão de quem prefere não falar.

3. Quem deve conduzir a entrevista de desligamento? 

O mais indicado é que a entrevista seja conduzida por alguém do RH, de preferência uma pessoa que não esteja diretamente envolvida no processo de desligamento. Isso ajuda a criar um ambiente mais neutro e favorece respostas sinceras. 

Em empresas menores, onde a mesma pessoa do RH costuma conduzir todas as etapas do desligamento, uma alternativa é utilizar um formulário estruturado ou contar com apoio externo. O que deve ser evitado é que a liderança direta conduza a conversa, já que isso pode inibir o(a) colaborador(a). 

O mais indicado é que seja conduzida por alguém do RH, de preferência que não tenha relação direta com o motivo do desligamento. Em empresas menores, nas quais o RH é a mesma pessoa que fez o desligamento, uma alternativa é usar um formulário estruturado ou contar com apoio externo. O que deve ser evitado é a liderança direta conduzir a conversa.

Leia também: Demissão Consensual — o que é e quando é aplicável?

Do onboarding ao offboarding: o RH Digital da VR apoia cada etapa

Uma entrevista de desligamento bem conduzida é o reflexo de um RH que cuida das pessoas em todas as fases do ciclo, não apenas na contratação. E esse cuidado fica muito mais fácil quando os processos estão organizados, documentados e acessíveis.

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Leia também: Admissão e demissão — você está por dentro dos processos?

Imagem de capa — Fonte: Flowo / Magnific.com (2026)

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